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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Cidades: que futuro?

Mäyjo, 09.09.16

Um estudo recente estimou que cerca de 60% da população europeia e 80% dos residentes dos EUA não conseguem ver a via láctea durante a noite devido ao brilho das luzes das cidades. Este é apenas um indicador de como a crescente urbanização do planeta Terra afeta a nossa relação com a natureza. É certo que esta se encarrega, por vezes, de nos recordar que continuamos dependentes dela: foi o caso da erupção de 2010 do vulcão Eyjafjallajökull, ocorrida na Islândia mas cujas cinzas levadas para leste pelos ventos impediram o tráfego aéreo em diversos países da Europa e atingiram regiões tão longínquas como a Rússia asiática e o Próximo Oriente. Mas estes fenómenos, como os tremores de terra, são pontuais e não raro relativamente previsíveis. É o homem, e não a natureza, quem está a desequilibrar a relação entre ambos. Os vários alertas vermelhos emitidos nos últimos anos em Pequim por excesso de poluição, por vezes acompanhados por ordens de suspensão parcial da circulação automóvel e do funcionamento de empresas e de escolas, são um exemplo desse desequilíbrio que tem vindo a acentuar-se perigosamente.

Área afetada pelas cinzas da erupção de 2010 do vulcão Eyjafjallajökull (Islândia)

ferrao1.png

Fonte: https://commons.wikimedia.org/ (CC BY-SA 3.0)

Na verdade, as cidades constituem, ao mesmo tempo, os grandes polos de criação de conhecimento, inovação, emprego e riqueza e os principais focos de destruição dos sistemas biofísicos do nosso planeta. De acordo com um documento elaborado no âmbito da preparação da conferência HABITAT III sobre habitação e desenvolvimento urbano sustentável, que se realizará em Quito no próximo mês de outubro de 2016, a população a viver atualmente em cidades ocupa 3% da superfície terrestre, representa 54% da população mundial, emite 60% do total de gases com efeito de estufa, consome 76% dos recursos naturais do planeta e é responsável por 80% da riqueza global. Esses valores tenderão inevitavelmente a aumentar, se levarmos em conta que o serviço de População do DESA/Nações Unidas estima que em 2050 o peso relativo dos habitantes da Terra a viver em aglomerações urbanas será de 66%.

 

 
Por João Ferrão @ atsblog